Brasil ultrapassa a marca de 1milhão de casos confirmados de Coronavírus

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G1

O Brasil chegou a 1 milhão de casos de coronavírus na tarde de hoje, mostra um boletim extra do levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja os dados atualizados às 14h no boletim extra desta sexta:

  • 48.427 mortes
  • 1.009.699 casos confirmados

Às 20h de ontem, o consórcio havia divulgado o 11º balanço, com os dados mais atualizados das secretarias estaduais naquele momento, indicando 47.869 mortes – sendo 1.204 em 24 horas – e 983.359 casos confirmados.

Desde então, AC, CE, DF, GO, MT, MS, MG, PE, RN, RR, SP e TO divulgaram novos dados.

Os dados foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

O objetivo é que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus.

Avanço mesmo com subnotificação

Embora elevados, os números de casos e de mortes estão subnotificados. O Brasil ainda faz, como apontou um especialista ouvido pelo G1, “brutalmente” menos testes para detectar a doença do que deveria: são tão poucos RT- PCR (exames laboratoriais ideais para diagnosticar a Covid-19), que o número de casos confirmados muitas vezes é secundário para cientistas que analisam a evolução da pandemia.

“O Brasil está testando brutalmente menos do que deveria. Na melhor das hipóteses, 20 vezes menos do que é considerado adequado”, afirmou ao G1 Daniel Lahr, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

A reportagem ouviu especialistas de cada uma das regiões do país e traçou um panorama da situação que o Brasil enfrenta às vésperas do inverno, que começa oficialmente amanhã.

Nordeste

Os números de Covid-19 continuam altos na região e não há tendência de melhora, afirma o professor de epidemiologia computacional Jones Albuquerque das universidades Federal e Federal Rural de Pernambuco (UFPE e UFRPE).

Albuquerque explica que todos os estados aparecem em “vermelho” nos gráficos usados no laboratório da UFPE, que levam em consideração o número de infectados, a taxa de contágio e o número de casos para cada 100 mil habitantes. “Todos os estados estão ruins. Uns ruins, outros muito ruins. Pernambuco até umas duas semanas atrás vinha num cenário bom em relação ao Brasil, mas retrocedeu. Piauí está terrível, Sergipe é o pior de todos”, diz.

“Há, ainda, uma tendência de interiorização dos casos em Pernambuco e em todo o Nordeste, assim como no resto do país”, afirma Albuquerque.

“As cidades do interior não têm a mesma infraestrutura, então os casos acabam vindo para a capital. Havia a esperança de que, no interior, as pessoas ficassem mais espaçadas, mas não é isso o que está acontecendo”, afirma José Luiz de Lima Filho, médico e professor também nas universidades federais de Pernambuco.

Lima Filho explica que Recife, por exemplo, conseguiu ampliar o número de leitos de UTI, assim como o Ceará, mas que isso não foi visto em outras cidades, como Natal.

O médico também sinaliza que os testes sorológicos, usados por várias cidades no país para detectar anticorpos para o vírus, podem distorcer as estatísticas, por causa dos muitos falsos negativos.

“Eles podem mostrar menos casos, então você imagina que está melhor. Mas o número de óbitos vai ser o mesmo. A situação não está sob controle no Nordeste”, enfatiza o médico. A região ainda tem um risco a mais para esta época do ano, que são as arboviroses (dengue, zika, e chikungunya).

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