Queimaduras: Mês voltado para prevenção de acidentes

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Campanha do Junho Laranja chama atenção para os acidentes com o público infantil

O início da pandemia do novo coronavírus mexeu com a rotina das famílias brasileiras. Com o isolamento social, pais e filhos estão mais tempo dentro de suas casas e neste período é preciso ter cuidado com os acidentes domésticos, em especial aqueles que envolvem queimaduras. Neste mês de junho, voltado para o trabalho de conscientização e prevenção desse tipo de ocorrência, o  Hospital da Restauração (HR) reforça a importância de ter uma atenção redobrada para evitar casos, que podem levar a internação e até mesmo óbitos.

O Junho Laranja, que envolve todos os Centros do país, é encabeçado pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), e visa mobilizar profissionais de saúde e pais com o lema “Com Fogo Não Se Brinca”.  As ações têm como foco o público infantil, que é vítima de 40% desse tipo de acidentes, segundo a SBQ.  A população brasileira passou a incorporar em suas rotinas de higiene pessoal e de objetos o uso do álcool líquido a 70% e a utilização desse tipo de álcool preocupa por ser altamente inflamável.

Segundo o chefe da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do HR e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras, Marcos Barretto, outros fatores importantes e que precisam ser observados neste período são as tomadas elétricas e a utilização do fogão para o preparo dos alimentos. “Estamos vivenciando uma experiência nova em 2020, com as crianças passando grande período dentro de suas casas e tendo acesso a diversos meios causadores de acidentes. É importante observar todos os cômodos da casa e limitar o acesso às tomadas, que precisam ser vedadas para proteção desses pequenos. Outro caso bastante preocupante e que é sempre observado aqui na Restauração, são as vítimas de queimaduras por líquidos quentes, como leite, café, óleo, etc. Pedimos atenção redobrada dos adultos”, destacou.

A Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital da Restauração atende em média 3 mil pacientes por ano, entre crianças e adultos. Deste total, em torno de 30% ficam internados no serviço. Por mês, a UTQ recebe em média 250 pacientes vítimas de queimaduras.

Ainda segundo Marcos Barretto, o carro-chefe dos acidentes domiciliares em crianças é a cozinha, em especial a escaldadura, ocasionada por líquidos quentes. “Cerca de 55% das internações na UTQ são de crianças, porém um detalhe importante é que essas crianças recebem alta hospitalar mais rapidamente que os adultos, devido a menor gravidade, quando levamos em consideração a extensão de superfície corpórea queimada e a profundidade das lesões. Nos adultos, o mais comum são lesões por agressões, incêndios, agressão contra a própria vida e as lesões elétricas que são extremamente graves, o que exige maior tempo de recuperação, com chance de agravamento do quadro clínico”.

O Hospital da Restauração conta com um Centro de Tratamento com 40 leitos voltados exclusivamente para o tratamento de queimados, com o aporte de cerca de 150 profissionais. “Vivenciamos casos de uma doença que poderia ser diminuída se as pessoas tivessem um pouco mais de consciência para observar os riscos que elas correm utilizando álcool- seja para cozinhar ou para higiene das mãos e objetos-, combustíveis, mexendo em rede elétrica, agressões, incêndios e atentados contra a própria vida. Queremos chamar a atenção para que as famílias não compliquem mais a suas vidas, que já está tão difícil devido à pandemia, por acidentes que poderiam perfeitamente ser evitados. Queimadura é uma doença previsível, portanto evitável”, concluiu o médico Marcos Barretto.

Álcool em gel – A população deve estar atenta ao uso excessivo de álcool em gel para higiene das mãos. O chefe da Unidade de Tratamento de Queimados do HR, Marcos Barretto, ainda chamou atenção para os casos envolvendo queimaduras após o uso da substância. Para o profissional, a utilização da água e sabão não devem ser abandonadas e o uso do álcool deve ser feito em pequenas quantidades e em casos específicos, como ao tocar em superfícies ou objetos que possam estar contaminadas. “O álcool na forma de gel deve ser manuseado e carregado em pequenas quantidades. O que não devemos fazer é usá-lo de forma indiscriminada em casa, pois no ambiente doméstico contamos com o acesso a água e sabão com frequência . O uso de álcool em gel é para situações emergenciais, em transporte público onde você toca nas cadeiras e nos corrimões, por exemplo. É extremamente importante também retirar a substância do alcance das crianças”, disse. “As pessoas não tem noção do risco. Quanto menos álcool dentro de casa melhor”.

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