Artigo* – Além do amém, amem sem intolerância

No mês que finda, vivenciamos as celebrações do Combate a Intolerância Religiosa, fenômeno social que tem se expandido pelo Brasil, principalmente pelas vias abertas das redes sociais.

Nosso país tem uma matriz religiosa ampla, com o cruzamento dos ritos dos índios que aqui estavam antes da chegada dos portugueses, lusitanos que trouxeram o Cristianismo na sua vertente católica, africanos da cultura do Candomblé, seguidos pelo Judaísmo que implanta em Recife a primeira sinagoga na América latina.
No século XIX, chegam os primeiros grupos de evangélicos identificados com o movimento Luterano, do reformista alemão Martinho Lutero, e no alvorecer do século XX, o Espiritismo formatado por Hippolyte León, que se converte em Alan Kardec.
No atual panorama social, o nosso país tem diversos outros grupos religiosos, que professam a sua fé ao seu modo, inclusive ocupando espaços grandes nas mídias, rádios, TVs e jornais, além de uma comunicação muito ampla nas redes sociais.
O maior desafio da convivência humana é a própria convivência, e conforme nos ensina a filosofia, estar com outro alguém só é possível quando aplicamos dois requisitos: a concordância e a tolerância.
Concordamos com todos os atos e pensamentos dos outros? Claro que não! É aí que entra o requisito valioso da tolerância. Se não concordamos nem toleramos, estamos fazendo o coquetel que alimenta a violência em todas as suas formas.
Desde 2007, o dia 21 de janeiro é destinado ao Combate a Intolerância Religiosa por conta do aniversário de morte de mãe Gilda, fundadora do terreiro Axé Abassá de Ogum. A líder religiosa teve o seu templo vandalizado por algumas pessoas, contrárias as atividades de culto praticadas por ela e seus afilhados.
Religião – seja qualquer denominação – se propõe a dois aspectos: desenvolver a paz interior de cada praticante e a partir dessa paz, fazer o bem ao semelhante. O individualismo só alimenta vaidades e preconceitos.
Que as pessoas possam a cada dia desenvolver um equilíbrio emocional e seja refletido na convivência social. O Deus que procuramos, independente do credo religioso, ou até sem nenhum credo, é um ser que se manifesta dentro de cada um de nós, com nossas muitas dúvidas e poucas certezas, através do perdão, tolerância, diálogo, convivência e evolução, principalmente com todos aqueles que pensam e agem diferente de nós, bastando ser – cada pessoa – um construtor da paz social. O mundo não é lugar de perfeitos, mas sim uma passagem para nos aperfeiçoarmos na arte do bem viver.
Shalom!

Prof. José Urbano

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