Fenômeno sim, mito não O efeito Bolsonaro

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No dia 28 de outubro, o Brasil elegeu seu trigésimo oitavo Presidente. Nos seus 129 anos de República que nasceu com o perfil militar – a partir das figuras dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto – até a entrada no século XXI e o momento atual, estamos consolidando 30 anos de eleições ininterruptas, pela primeira vez na nossa história. E agora temos a eleição de um militar do Exército para Presidir o país, após os conturbados 21 anos de ditadura, quando 6 generais se revezaram na Presidência da República. 

A leitura que podemos fazer a partir dos dados mostrados pelas urnas, nos dá a certeza de que o país vive um momento político único, e o Presidente eleito foi alçado à condição de fenômeno político-eleitoral.
Com sete mandatos de Deputado Federal, passagem por oito siglas partidárias, um estilo verbal direto e por vezes radical, foi necessário um curto período de dois anos para a ideia de ser Presidente se tornasse um fato concreto, pela filiação em um partido que estava na sombra das grandes siglas, tido como mais um “nanico” no cenário político. Em 2014, o desconhecido PSL teve 800 mil votos e fez oito deputados federais. Agora em 2018, o partido alcançou quase 12 milhões de votos, e fez 52 parlamentares federais, um crescimento de 1.300%. Elegeu ainda o Senador mais votado da história, o Major Olímpio, com 9 milhões de votos do eleitorado paulista. Com poucos recursos financeiros, alguns segundos na mídia, material escasso e pequeno número de filiados, chama atenção ter havido um crescimento fenomenal em tão pouco tempo. Obviamente, o Jair Bolsonaro, agora presidente eleito, foi o maquinista que conduziu essa locomotiva partidária e ganhou visibilidade nacional. No pleito atual à presidência, foram 13 candidatos e muitas coligações. Na minha ótica, foram para o segundo turno 12 candidatos contra um só. No decorrer da campanha, um atentado tomou destaque internacional e o que poderia ter sido o fim da campanha foi um impulso inimaginável. Comparando números, entre o primeiro e o segundo turno, o Bolsonaro aumentou para si 8 milhões de votos em 3 semanas, sem comparecer a nenhum evento público, e pela primeira vez na história recente, sem ir a um único debate de TVs, por orientação de sua equipe médica. Tomaram destaques suas falas curtas nas redes sociais, Instagram,Whatsapp e Facebook, com uma equipe de multiplicadores eficientes, e alcance maior que as redes de televisão nacional. No outro lado, o PT assume a maioria da Câmara dos Deputados com 56 afiliados, e o Senado renovou 85% dos parlamentares, tendo ainda a maioria dos eleitores optados por uma guinada ideológica de 180 graus, saindo da esquerda petista e indo para a ideologia centro-direita do PSL. 40 milhões de abstenções é um número significativo, uma massa silenciosa que merece uma atenção especial. Aqui em Caruaru, dois novos personagens eleitos, respectivamente Lessa e Rodolfo, deputados estadual e federal. Novo cenário em 2020, alguém duvida?
A partir de agora, definidos todos os personagens democraticamente eleitos, o país assiste a montagem de uma equipe de transição, nos bastidores começam as negociações com o Congresso Nacional e a governabilidade, alicerçada no modelo de alterações propostas pela campanha vitoriosa. Continuaremos sempre atentos. Do lado das oposições, a oportunidade de refletir sobre erros e avanços, estratégias e o papel de cada um nas trincheiras da oposição, para o bem estar da democracia e a convivência ideológica. Aos eleitos, a cobrança de competências, responsabilidades, espírito público, eficiência e honestidade, transformando esperanças em avanços, e um Brasil melhor para todos. Muitos desafios, menos recursos e a proposta de dotar essa nação como um espaço de melhores oportunidades, ordem plena e progresso para todos. Que a consciência social seja fortalecida, e a política esteja a serviço de todos nós, e não a população a serviço dos eleitos. Foi bom o resultado da eleição para o Brasil? A resposta, só em 2022.
Para um Brasil melhor, uma educação qualificada!

Prof. José Urbano

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