Governo precisa reequilibrar contas públicas para melhorar nota crédito do Brasil, apontam economistas

Da Agência do Rádio

O rebaixamento da nota de crédito do Brasil, anunciada na última quinta-feira, 11,  pela mais importante agência internacional de risco, é avaliado por especialistas como um sinal de alerta. A Standard & Poor’s (S&P) apontou como “uma das principais fraquezas do Brasil” o atraso na aprovação de medidas fiscais que reequilibrem as contas públicas. A decisão significa que o país segue sem o selo de bom pagador, mas agora se encontra três degraus abaixo do grau de investimento.

Na visão do ex-economista do Banco Mundial Cláudio Frischtak, a má administração dos últimos governos tem gerado consequências graves para a economia brasileira.

“O que a agência está sinalizando é que a parte fiscal do governo, as contas do governo não estão bem. Isso todos nós brasileiros sabemos, nós temos uma herança maldita, principalmente do governo Dilma, em que houve uma desestruturação, uma desorganização das contas públicas e agora nós estamos pagando um preço”.

Para o ex-presidente do Banco Central e atual diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV), Carlos Langoni, para que o Brasil volte a ser bem visto no mercado internacional, é preciso que os agentes públicos façam uma reorganização fiscal e diminuam os níveis de endividamento.

“Nós temos um ambiente de recuperação econômica, com inflação baixa, mas continua a ameaça do ajuste fiscal incompleto, inconsistente. Então, é nisso que a Standard & Poor’s está focando. É fundamental que o Brasil avance e complete o seu processo de reequilíbrio das contas públicas. Eu acho que essa decisão da Standard & Poor’s é um sinal de alerta”.

Na visão do ex-ministro da Fazenda Marcílio Moreira, o início de ano tem se mostrado de recuperação sob o ponto de vista econômico. Ele cita como exemplo a menor inflação registrada desde o regime de metas e estima um 2018 de avanços.

“Os números da economia, inclusive de crescimento esse ano de no mínimo 1% e do ano que vem de até 3%, são muito animadores porque estão simultâneos como a inflação muito baixa, que é uma situação que no Brasil há muito tempo não temos. Mas há uma dificuldade grande do governo de fazer, aprovar algumas medidas absolutamente indispensáveis para que essa recuperação continue e acabe se consolidando.”

Um dia após a Standard & Poor’s rebaixar a nota de crédito do Brasil, a agência de classificação de risco diminuiu também as notas de instituições financeiras e seguradoras. Entre os bancos avaliados estão a Caixa Econômica, o Itaú, o Bradesco e o BNDES.

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